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Além das Linhas de Nasca

19/06/2011

O Peru é um país que cultiva uma aura de misticismo e mistério, proveniente dos antigos povos que habitaram a região em tempos remotos. Estes povos deixaram vestígios arqueológicos em praticamente todo o território peruano, e entre os mais famosos estão as Linhas de Nasca, que tornaram conhecida a cidade de mesmo nome e atraem milhares de turistas todos os anos. Mas Nasca possui muitos outros atrativos não menos interessantes, que podem fascinar tanto pessoas interessadas em arqueologia e cultura quanto os aventureiros.

Situada a cerca de 450 km ao sul de Lima, Nasca está em uma das regiões mais secas e áridas do mundo, conhecida como Deserto de Sechura, que se estende por todo o oeste do Peru. Nesta região surgiu e floresceu a cultura Nasca, entre 300 AC e cerca de 800 DC, antes dos Incas e fortemente influenciada pelo povo Paraca, conhecido pela confecção de tecidos extremamente elaborados e que habitou a mesma região anteriormente.

Deserto de Sechura / Sechura Desert

Deserto de Sechura / Sechura Desert

O povo Nasca deixou a sua marca através de belas e delicadas peças de cerâmica, geralmente com motivos zoomórficos, tecidos e os famosos geoglifos conhecidos como as Linhas de Nasca. Além disso, construíram um sistema de aquedutos subterrâneos que funciona até hoje.

O clima seco é a razão principal para o impressionante estado de conservação de muitas relíquias arqueológicas encontradas ao longo dos tempos, como as múmias descobertas em meados da década de 1920 em Chauchilla. Distante cerca de 30 km da cidade pela Rodovia Panamericana, este sítio arqueológico passou a ser conhecido como Cemitério de Chauchilla, e foi alvo constante de saqueadores ao longo do século XX, que levavam peças de cerâmica, ossos e os tecidos que cobriam os corpos mumificados. A partir de 1997, o governo local passou a agir mais firmemente para coibir essas atividades criminosas, e desde então as múmias estão expostas em tumbas reconstruídas feitas de tijolos de barro.

Múmias no Cemitério de Chauchilla (Cementerio de Chauchilla), descobertas na década de 1920. / Mummies at Chauchilla Cemetery (Cementerio de Chauchilla), discovered in the 1920s.

Múmias no Cemitério de Chauchilla (Cementerio de Chauchilla), descobertas na década de 1920. / Mummies at Chauchilla Cemetery (Cementerio de Chauchilla), discovered in the 1920s.

Múmias no Cemitério de Chauchilla (Cementerio de Chauchilla), descobertas na década de 1920. / Mummies at Chauchilla Cemetery (Cementerio de Chauchilla), discovered in the 1920s.

Múmias no Cemitério de Chauchilla (Cementerio de Chauchilla), descobertas na década de 1920. / Mummies at Chauchilla Cemetery (Cementerio de Chauchilla), discovered in the 1920s.

Múmias no Cemitério de Chauchilla (Cementerio de Chauchilla), descobertas na década de 1920. / Mummies at Chauchilla Cemetery (Cementerio de Chauchilla), discovered in the 1920s.

Múmias no Cemitério de Chauchilla (Cementerio de Chauchilla), descobertas na década de 1920. / Mummies at Chauchilla Cemetery (Cementerio de Chauchilla), discovered in the 1920s.

Os sepultamentos ocorreram aproximadamente entre os séculos III e IX, com os corpos sempre voltados para o leste. Cabelos, unhas, e os tecidos que envolvem as múmias ainda estão em ótimo estado de conservação, mesmo após tanto tempo enterrados. Para entrar na área aberta à visitação, também conhecida como Necropolis Pré Inca, é necessário pagar dez Nuevos Soles, equivalente a cerca de U$ 3,00. Esta taxa é cobrada somente dos turistas estrangeiros.

Cemitério de Chauchilla (Cementerio de Chauchilla) / Chauchilla Cemetery (Cementerio de Chauchilla)

Cemitério de Chauchilla (Cementerio de Chauchilla) / Chauchilla Cemetery (Cementerio de Chauchilla)

Cemitério de Chauchilla (Cementerio de Chauchilla) / Chauchilla Cemetery (Cementerio de Chauchilla)

Cemitério de Chauchilla (Cementerio de Chauchilla) / Chauchilla Cemetery (Cementerio de Chauchilla)

Infelizmente, apesar das melhorias, o controle sobre artefatos arqueológicos encontrados em solo peruano ainda é muito deficiente. É comum achar pedaços de cerâmica, e até mesmo partes de esqueletos humanos, nas areias do deserto que cerca a cidade, e muitos habitantes do local e turistas levam esses objetos para casa. Existem alguns artesãos em Nasca, certificados pelas autoridades locais, que têm permissão para guardar em seus ateliês peças originais de cerâmica feitas pelo povo Nasca. A partir destas peças eles fazem reproduções perfeitas, aplicando os mesmos métodos utilizados há centenas de anos atrás. Inclusive os pigmentos usados na pintura das cerâmicas são obtidos das mesmas matérias primas que os Nascas utilizavam. Esses métodos foram resgatados em um trabalho conjunto com arqueólogos e estudiosos da cultura Nasca, e as reproduções são colocadas à venda no local de trabalho dos artesãos. Esse trabalho ainda é pouco conhecido pelos turistas que visitam a cidade, e talvez a sua divulgação ajudasse a diminuir o contrabando de relíquias arqueológicas.

Reprodução de cerâmica da cultura Nasca a partir de peça original, feita pelo artesão Luis Alberto Segura Castañeda. / Reproduction of ceramic piece from Nasca culture made by the artisan Luis Alberto Segura Castañeda.

Reprodução de cerâmica da cultura Nasca a partir de peça original, feita pelo artesão Luis Alberto Segura Castañeda. / Reproduction of ceramic piece from Nasca culture made by the artisan Luis Alberto Segura Castañeda.

Reprodução de cerâmica da cultura Nasca a partir de peça original, feita pelo artesão Luis Alberto Segura Castañeda. / Reproduction of ceramic piece from Nasca culture made by the artisan Luis Alberto Segura Castañeda.

Reprodução de cerâmica da cultura Nasca a partir de peça original, feita pelo artesão Luis Alberto Segura Castañeda. / Reproduction of ceramic piece from Nasca culture made by the artisan Luis Alberto Segura Castañeda.

Reprodução de cerâmica da cultura Nasca a partir de peça original, feita pelo artesão Luis Alberto Segura Castañeda. / Reproduction of ceramic piece from Nasca culture made by the artisan Luis Alberto Segura Castañeda.

Reprodução de cerâmica da cultura Nasca a partir de peça original, feita pelo artesão Luis Alberto Segura Castañeda. / Reproduction of ceramic piece from Nasca culture made by the artisan Luis Alberto Segura Castañeda.

Reprodução de cerâmica da cultura Nasca a partir de peça original, feita pelo artesão Luis Alberto Segura Castañeda. / Reproduction of ceramic piece from Nasca culture made by the artisan Luis Alberto Segura Castañeda.

Reprodução de cerâmica da cultura Nasca a partir de peça original, feita pelo artesão Luis Alberto Segura Castañeda. / Reproduction of ceramic piece from Nasca culture made by the artisan Luis Alberto Segura Castañeda.

Reprodução de cerâmica da cultura Nasca a partir de peça original, feita pelo artesão Luis Alberto Segura Castañeda. / Reproduction of ceramic piece from Nasca culture made by the artisan Luis Alberto Segura Castañeda.

Reprodução de cerâmica da cultura Nasca a partir de peça original, feita pelo artesão Luis Alberto Segura Castañeda. / Reproduction of ceramic piece from Nasca culture made by the artisan Luis Alberto Segura Castañeda.

Peça original de cerâmica da cultura Nasca, utilizada como modelo para reproduções feitas pelo artesão Luis Alberto Segura Castañeda. / Original ceramic piece from Nasca culture, used as a model for reproductions made by the artisan Luis Alberto Segura Castañeda.

Peça original de cerâmica da cultura Nasca, utilizada como modelo para reproduções feitas pelo artesão Luis Alberto Segura Castañeda. / Original ceramic piece from Nasca culture, used as a model for reproductions made by the artisan Luis Alberto Segura Castañeda.

Além do esplendor artístico representado pelas suas cerâmicas, a cultura Nasca legou algumas obras que envolvem uma tecnologia avançada para a época, como o sistema de aquedutos subterrâneos encontrado ao redor da cidade de Nasca. Conhecidos localmente como puquios, estes aquedutos são túneis subterrâneos por onde flui água proveniente de aqüíferos existentes na região. Eles foram construídos com pedras retiradas de rios, sem uso de argamassa, e são utilizados como fonte de água até os dias de hoje. Ainda não existe um consenso em relação à sua idade, mas é certo que sua origem é pré colombiana.

Aquedutos construídos pela civilização Nasca. / Aqueducts built by Nasca civilization.

Aquedutos construídos pela civilização Nasca. / Aqueducts built by Nasca civilization.

Aquedutos construídos pela civilização Nasca. / Aqueducts built by Nasca civilization.

Aquedutos construídos pela civilização Nasca. / Aqueducts built by Nasca civilization.

Aquedutos construídos pela civilização Nasca. / Aqueducts built by Nasca civilization.

Aquedutos construídos pela civilização Nasca. / Aqueducts built by Nasca civilization.

Assim como os povos que os antecederam, os espanhóis também deixaram a sua marca na região. Uma dos vestígios mais interessantes de sua passagem é a Igreja de San José, ou Templo de San José, localizado no distrito de El Ingenio, a cerca de 30 km ao norte da cidade pela Rodovia Panamericana, e depois mais dois quilômetros para o leste por uma pequena estrada secundária. Construída entre 1740 e 1744 pelos jesuítas, a igreja fica ao lado de uma praça em um pequeno povoado, e impressiona pelo tamanho e pela magnífica arquitetura barroca. Infelizmente ela está completamente abandonada e em ruínas, tendo sido dilapidada ao longo de dois séculos por saqueadores, além de sua estrutura ter sido avariada por um terremoto na década de 1940, o que fez com que seu teto desabasse. Segundo o World Monuments Fund (WMF), essa jóia arquitetônica, que também é a igreja mais antiga da região, corre sério risco de desaparecer se não for restaurada em breve.

Igreja de San José (Iglesia de San José). / Church of San José (Iglesia de San José).

Igreja de San José (Iglesia de San José). / Church of San José (Iglesia de San José).

Igreja de San José (Iglesia de San José). / Church of San José (Iglesia de San José).

Igreja de San José (Iglesia de San José). / Church of San José (Iglesia de San José).

Igreja de San José (Iglesia de San José). / Church of San José (Iglesia de San José).

Igreja de San José (Iglesia de San José). / Church of San José (Iglesia de San José).

Igreja de San José (Iglesia de San José). / Church of San José (Iglesia de San José).

Igreja de San José (Iglesia de San José). / Church of San José (Iglesia de San José).

Igreja de San José (Iglesia de San José). / Church of San José (Iglesia de San José).

Igreja de San José (Iglesia de San José). / Church of San José (Iglesia de San José).

Igreja de San José (Iglesia de San José). / Church of San José (Iglesia de San José).

Igreja de San José (Iglesia de San José). / Church of San José (Iglesia de San José).

Igreja de San José (Iglesia de San José). / Church of San José (Iglesia de San José).

Igreja de San José (Iglesia de San José). / Church of San José (Iglesia de San José).

Mas não é só cultura e arqueologia o que a cidade de Nasca tem para oferecer. Quem gosta de lugares remotos, com belíssimas paisagens, onde é preciso caminhar por horas e horas em uma trilha até chegar ao destino final, não pode deixar de ir ao Cerro Blanco. Conhecido como a duna mais alta do mundo, com 2.080 metros de altura, o Cerro Blanco na verdade é uma montanha rochosa cujo cume é uma gigantesca duna de areia. O acesso até o topo só é possível através de uma antiga trilha, que os guias locais dizem ter sido feita pelos Incas, e exige de quatro a cinco horas de caminhada. Existem operadoras de turismo e guias independentes na cidade que levam turistas até o cume, com direito a acampamento e uma sessão de sandboard no alto da imensa duna. É uma experiência inesquecível, de onde se pode ver uma das paisagens mais incríveis do mundo. Mas é importante estar preparado para mudanças bruscas de temperatura, pois à noite o frio é próximo de zero grau e durante o dia faz certo calor.

Trilha para o cume do Cerro Blanco, a duna mais alta do mundo. / Trekking trail to the top of Cerro Blanco, the highest dune in the world.

Trilha para o cume do Cerro Blanco, a duna mais alta do mundo. / Trekking trail to the top of Cerro Blanco, the highest dune in the world.

Trilha para o cume do Cerro Blanco, a duna mais alta do mundo. / Trekking trail to the top of Cerro Blanco, the highest dune in the world.

Trilha para o cume do Cerro Blanco, a duna mais alta do mundo. / Trekking trail to the top of Cerro Blanco, the highest dune in the world.

Homem jovem andando no Cerro Blanco, a duna mais alta do mundo, e cidade de Nasca ao fundo. / Young man walking on Cerro Blanco, the highest dune in the world, and city of Nasca in the background.

Homem jovem andando no Cerro Blanco, a duna mais alta do mundo, e cidade de Nasca ao fundo. / Young man walking on Cerro Blanco, the highest dune in the world, and city of Nasca in the background.

Sandboard no Cerro Blanco, a duna mais alta do mundo. / Sandboarding on Cerro Blanco, the highest dune in the world.

Sandboard no Cerro Blanco, a duna mais alta do mundo. / Sandboarding on Cerro Blanco, the highest dune in the world.

De volta à cidade, vale a pena dar uma passeada pela Plaza de Armas e arredores, e visitar as diversas lojas onde se pode encontrar souvenirs, roupas e os tradicionais gorros peruanos. É bom prestar atenção se o gorro é fabricado com material sintético ou lã de alpaca, pois estes são feitos a mão e aquecem muito mais. O preço é praticamente o mesmo.

Existem muitos restaurantes pelo centro da cidade, para todos os gostos, e a comida, como em todo o Peru, é barata. Há também diversas opções de hospedagem, desde o ótimo Hotel Nasca Lines até hostels para mochileiros.

Praça de Armas (Plaza de Armas) ao anoitecer. / Plaza de Armas at evening.

Praça de Armas (Plaza de Armas) ao anoitecer. / Plaza de Armas at evening.

Praça de Armas (Plaza de Armas). / Plaza de Armas.

Praça de Armas (Plaza de Armas). / Plaza de Armas.

Alpaca na Praça de Armas (Plaza de Armas). / Alpaca in Plaza de Armas.

Alpaca na Praça de Armas (Plaza de Armas). / Alpaca in Plaza de Armas.

Bancos cobertos decorados com reproduções das Linhas de Nasca, na Calle La Cultura. / Covered benchs decorated with Nasca Lines reproductions, in Calle La Cultura.

Bancos cobertos decorados com reproduções das Linhas de Nasca, na Calle La Cultura. / Covered benchs decorated with Nasca Lines reproductions, in Calle La Cultura.

Como a atração mais conhecida da cidade são as Linhas de Nasca, existem operadoras de turismo especializadas em passeios de avião monomotor que sobrevoam os famosos geoglifos por cerca de uma hora. Na verdade elas são pequenas companhias aéreas, que cobram entre US$ 150,00 e US$ 250,00 por pessoa pelo passeio. Os preços já foram bem menores até há poucos anos atrás, mas uma sucessão de acidentes aéreos, que provocaram a morte de vários turistas, fez com que as autoridades locais endurecessem a fiscalização sobre essas empresas. Muitas delas operavam com aviões sem condições de segurança e foram fechadas. Agora só restam três ou quatro operadoras que fazem o passeio, e com a diminuição da oferta o preço subiu. Quem não está disposto a pagar tanto tem outra opção: existe um mirante às margens da Rodovia Panamericana, ao norte da cidade no km 419, de onde é possível ver três dos geoglifos. Eles estão bem próximos à rodovia e são bem visíveis. O mirante é uma torre de metal com uma escadaria, e o acesso custa dez Nuevos Soles por pessoa, o que equivale a cerca de US$ 3,00.

Linhas de Nasca ao lado da Rodovia Panamericana Sul (Carretera Panamericana Sur). / Nasca Lines close to Road Panamericana Sur (Carretera Panamericana Sur).

Linhas de Nasca ao lado da Rodovia Panamericana Sul (Carretera Panamericana Sur). / Nasca Lines close to Road Panamericana Sur (Carretera Panamericana Sur).

Linhas de Nasca ao lado da Rodovia Panamericana Sul (Carretera Panamericana Sur). / Nasca Lines close to Road Panamericana Sur (Carretera Panamericana Sur).

Linhas de Nasca ao lado da Rodovia Panamericana Sul (Carretera Panamericana Sur). / Nasca Lines close to Road Panamericana Sur (Carretera Panamericana Sur).

Rodovia Panamericana Sul (Carretera Panamericana Sur). / Road Panamericana Sur (Carretera Panamericana Sur).

Rodovia Panamericana Sul (Carretera Panamericana Sur). / Road Panamericana Sur (Carretera Panamericana Sur).

Como foi possível perceber, Nasca está muito além de seus enigmáticos geoglifos, pois apesar de representarem um tesouro arqueológico insubstituível, a cidade tem muito mais coisas fascinantes a oferecer.

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